Rabi Eli Rosenfeld – Parashat: “Vayigash” – Chabad Portugal

Vayigash

A nossa parashá começa com os momentos finais de tensão antes de José finalmente revelar aos seus irmãos a sua verdadeira identidade.

Tendo suportado tanta dor e sofrimento é notável verficar que José vê todo o episódio de forma positiva. Ele está focado em certificar-se de que os seus irmãos, que o tinham vendido, se concentravam num futuro positivo em vez de num passado culpado.

E quanto a Benjamin, o irmão mais novo de José? Quais foram o seus pensamentos sobre todo o episódio?

O texto em si não nos diz, no entanto, muitos detalhes das histórias da Torá são registrados para nós em textos chamados Midrash. Essas tradições foram transmitidas através das gerações a História Judaica.

Um desses repositórios de textos midrashícos, são os escritos de Rabino Abraão Sabá. Usando a extensa biblioteca que possuia enquanto vivia em Guimarães, partilha conosco muitas belas anedotas e idéias que só são conhecidas hoje através de suas obras.

O Rabino Sabá fala-nos de uma conversa particular que teve lugar entre José e Benjamim. Silenciosamente, José tinha perguntado a Benjamin o que acontecera durante todos estes anos “O que é que disseram os nossos irmãos ao nosso pai Jacó sobre o meu desaparecimento?”

Benjamin então conta-lhe o episódio do casaco ensanguentado e como os irmãos o tinham mostrado a Jacó, afirmando que “foi encontrado isto”.

“Exatamente o que aconteceu” diz José. “Estranhos me raptaram, depois um deles vestiu o meu belo casaco quando de repente um leão o atacou, matando o homem e ensanguentando o casaco. Os outros seqüestradores depois venderam-me como escravo”.

Conclui o Rabino Sabá, é por isso que José é conhecido como “Tzadik”, o Justo. Nem mesmo perante o seu irmão mais próximo, Benjamin, ele envergonharia os seus irmãos. O seu foco estava no futuro, na criação de unidade e coesão.

Shabat Shalom!

Rabino Eli Rosenfeld
chabadportugal.com

A história do Judaísmo em Portugal é uma fina tapeçaria rica em desafios e sucessos ao longo de tempos imemoriais. As terras portuguesas produziram e acolheram alguns dos nossos maiores Rabinos e líderes. Desde o estadista, líder, e sábio, Rabino Dom Yitzchak Abarbanel até ao autor do Shulchan Aruch, o Rabino Yosef Karo no século dezasseis até mais recentemente ao tempo que passou em Lisboa em 1941 o Grande Rabino de Lubavitch, o solo Portugal foi testemunha de importantes contribuições para o reforço das comunidades Judaicas e da sua compreensão e aderência à Torah.

É em reconhecimento da natureza imorredoira destas contribuições e em honra de todos os Judeus que ao longo de tempos de glória e deescuridão residiram em Portugal, que estes comentários da autoria dos grandes Rabinos de Portugal vos são aqui apresentados – aqui em Portugal.

Um agradecimento especial ao Rabino Shlomo Pereira pela tradução deste texto para português.