Amaldiçoando a fúria – Comentário sobre a Parashát da semana: “Vayechi” – Shavei Israel/Casa dos Anussim

In: http://casadosanussim.shavei.org/2014/12/31/comentario-sobre-a-parasha-da-semana-vayechi/

Chegamos ao final. Nesta Parashá nos despedimos de Yaakov, esta semana nos despedimos de Israel, a personalidade e a terra. O comentarista Rashi indica no início da Parashá, que, com a morte de Yaakov, os egípcios começaram todo processo que levaria a nossa servidão. Para proteger seus filhos da escuridão que viria e, sendo um bom pai, Yaakov abençoa cada um de seus filhos. As bênçãos são famosas por nos mostrar o atributo de cada tribo por si só, algo que somente ele pode, e deve, complementar entre todos os irmãos. A bênção de cada um somente pode se concretizar, caso as outras onze bênçãos, também sejam concretizadas.

A bênção de Yaakov a Shimon e Levi se destaca pelo discurso. Ao referir-se ao massacre que os irmãos realizaram em Shechem, Yaakov diz que “em sua fúria, matou um homem… maldita seja sua fúria pois é descarada e sua raiva é cruel” (Bereshit 49:6,7). Rashi, neste episódio, ensina uma importante lição para todos os pais e educadores, ao enfatizar que: “Yaakov amaldiçoa a raiva de seus filhos, e não eles mesmos”.

O Talmud relata que quando o Rabino Meir teve problemas com um grupo de vizinhos que o incomodavam profundamente, orou intensamente para D’us ter misericórdia destes pecadores e acabar com suas vidas. Beruriah, sua esposa, neste momento, o corrigiu. “Não devemos orar pela morte do pecador, mas sim pelo pecado”. O Rabino então mudou sua reza e os pecadores começaram a decidir por um caminho melhor. (Berachot 9b).

Mas aqui, Yaacov não está chamando seus filhos de pecadores nem condenando suas ações. No início da Parashá, quando Yaacov dá uma porção extra de terra para Yosef, ele diz, “e eu vos darei Shechem, a mais do que a seus irmãos, que eu tomei dos Emoritas com a minha espada e meu arco” (Bereshit 48:22).

Yaacov exclama orgulhosamente que participou da conquista militar de Shechem. Shechem foi verdadeiramente uma cidade perversa, embora nossos sábios não tenham alcançado um acordo sobre qual foi o principal pecado da cidade. Contudo, estes são unânimes ao dizer que Shechem mereceu seu destino e que, o sequestro e estupro de Diná, a filha de Yaakov, foi a “gota d’água” na conclusão de seu veredicto.

Mas se Yaakov não almadiçoava nem seus filhos e nem suas ações por todo este episódio, o que Yaakov almadiçoava exatamente?

Sua maldição, na verdade, se referia a intenção. Não era suficiente que a cidade de Shechem tenha, eles mesmos, selado seu destino, para justificar as ações dos filhos de Yaakov. Estes deveriam ser puros em suas intenções para, desta maneira, serem puros em suas ações.

Alguém que busca a justiça por raiva apenas está à procura de vingança. D’s não tem interesse num mundo em que as pessoas sejam justas em suas ações, mas sejam motivadas pelo ódio ou mesmo, pela falta de amor.

A justiça é uma regra básica para a sociedade, mas é somente um fundamento. Quando Shimon e Levi massacraram a cidade de Shechem, este foram motivados pela raiva gerada pela humilhação de sua irmã e de sua família, e não, pelo ataque contra a moral humana e o terrível pecado contra D’s.

O grande sábio Chafetz Chaim, descreve seis pré-condições necessárias que seja justificado fornecer informações negativas sobre uma terceira pessoa e, assim, evitar os danos que podem causar aos envolvidos. A última condição é que, não se pode apreciar o relato negativo. Meso que a minha intenção de causar dano a outro, de alguma maneira esteja justificada, a minha satisfação não está, e é considerada um pecado.

Nesta semana, quando Yaacov amaldiçoa a fúria de seus filhos, lhes está ensinando que a ação correta é apenas o começo do extenso caminho para tornarmos pessoas verdadeiramente íntegras. Executar uma ação correta não é sinônimo de fazer a coisa certa. Para agir com justiça neste mundo e linfluenciar outros neste caminho, minhas ações devem ser motivadas por um desejo genuíno de fazer o que é melhor para todos, não apenas o que é bom para mim. A raiva nunca é um bom motivador e, inclusive, estimula que o Povo de Israel continuhado entre as nações, assim como Shimon e Levi estiveram separados de seus irmãos.