Rabi Eli Rosenfeld – Parashat “Vayechi” – Chabad Portugal

Vayechi

A nossa parashá e com ela o Sefer Bereishit (Livro do Gênesis) conclui com a da passagem do falecimento de José, José o tzadik e o governante no Egito.

Dom Abarbanel no seu comentário a esta passagem centra-se na longevidade da nomeação de José. O versículo diz-nos que José se apresentou perante o Faraó como um jovem de trinta anos. Tendo vivido até a idade de cento e dez, ele ocupou a sua posição como governante durante oitenta anos.Nos anais da história, seja em Roma ou em qualquer outro lugar, era inédito que um líder mantivesse uma posição de liderança incontestada por tanto tempo. Este facto, diz Dom Abarbanel, é um testemunho da grandeza de José.

Qual foi o segredo do sucesso de José? Por que é que ele não foi vítima de ciúmes e inveja, como tantas vezes acontece com um líder bem-sucedido? (O próprio Dom Abarbanel foi vítima dessas circunstâncias, muitas vezes em sua vida).

Dom Abarbanel não aborda esta questão nesta parashá, ele simplesmente revela o seu espanto com dela. No entanto, num comentário anterior, onde discute a nomeação inicial de Josá pelo Faraó, ele aborda esta questão.

José e o Faraó encontram-se pela primeira vez, na sequência dos sonhos do Faraó. Depois de ouvir a interpretação, visão e sugestões de José, o Faraó ficou convencido de que a sabedoria de José era divinamente inspirada.

Ele também estava profundamente ciente de que promover um desconhecido estrangeiro inexperiente, para a posição mais elevada no país, despertaria tremendos ciumes. O Faraó pergunta portanto aos seus conselheiros: “Encontraríamos alguém como este, um homem que tem o espírito de D’us nele?” (Bereísta 41:38)

Ele não promoveu José como sendo o mais sábio ou inteligente, mas sim como tendo sugestões e perspectivas que eram verdadeiras e corretas.

É assim, diz Dom Abarbanel, que os conselheiros de Faraó, aceitaram este compromisso. Eles reconheceram que José não foi escolhido por sua astúcia ou intelecto, mas pelo seu compromisso com D’us e a sua fé.

Talvez esta seja também uma lição para todos nós. Quando estamos orgulhosos e próximos da nossa fé e com confiança em D’us, todos os desafios podem ser superados.

Shabat Shalom!

Rabino Eli Rosenfeld
chabadportugal.com

A história do Judaísmo em Portugal é uma fina tapeçaria rica em desafios e sucessos ao longo de tempos imemoriais. As terras portuguesas produziram e acolheram alguns dos nossos maiores Rabinos e líderes. Desde o estadista, líder, e sábio, Rabino Dom Yitzchak Abarbanel até ao autor do Shulchan Aruch, o Rabino Yosef Karo no século dezasseis até mais recentemente ao tempo que passou em Lisboa em 1941 o Grande Rabino de Lubavitch, o solo Portugal foi testemunha de importantes contribuições para o reforço das comunidades Judaicas e da sua compreensão e aderência à Torah.

É em reconhecimento da natureza imorredoira destas contribuições e em honra de todos os Judeus que ao longo de tempos de glória e deescuridão residiram em Portugal, que estes comentários da autoria dos grandes Rabinos de Portugal vos são aqui apresentados – aqui em Portugal.

Um agradecimento especial ao Rabino Shlomo Pereira pela tradução deste texto para português.