Rabi Eli Rosenfeld – Parashat “Shemot” – Chabad Portugal

Shemot

A história do nascimento de Moisés é contada na porção da Torá desta semana. Nascido durante o infame decreto do Faraó contra os bebés judeus, a vida de Moisés começa com momentos de grande incerteza.A Torá diz-nos como a mãe de Moisés o colocou numa cesta `a beira do rio Nilo, esperando que isso permitisse que ele sobrevivesse. De guarda, olhando a cesta preciosa de longe, fica Miriam, a irmã mais velha de Moisés. O versículo descreve-nos então como a filha de Faraó entra em cena ao se aperceber do cesto e do bebê. “Ela abriu e viu o menino, e eis que o jovem estava chorando, ela apiedou-se dele e disse, este é um dos meninos hebreus.” (Shemot 2: 6)

Embora essas circunstâncias certamente a tenham ajudado a assumir que Moisés era de facto um menino judeu, como poderia ela estar tão certa disso? E quanto a Moisés e o cesto, como podia ter a certeza da sua verdadeira identidade?

Dom Abarbanel no seu comentário sobre esta história, oferece uma perspectiva e uma sugestão únicas. Famosamente, era a Miriam, a irmã de Moisés, que estava à mão. E Aaron? O irmão mais velho de Moisés não parece de todo em todo fazer parte deste episódio.

Dado que Aaron tem apenas três anos na época, faz sentido que ele não tenha sido responsabilizado. No entanto, um exame cuidadoso das palavras no verso leva muitos comentaristas a acreditar que ele foi de facto parte integral desta história.

Quando a filha do Faraó abre o cesto, o versículo diz-nos que “ela viu o “Yeled ” (menino), e o “Na’ar “(jovem) estava chorando.” Lido simplesmente, parece que o verso está apenas a usar dois termos distintos para descrever o bebé Moisés.

No entanto, uma outra explicação é citada por Dom Abarbanel, o “choro do jovem” era na verdade um a referencia a Aaron, o irmão mais velho de Moisés. Aaron estava ali com sua irmã Miriam, e quando o menino viu seu irmãozinho ser levado, ele imediatamente começou a chorar.

Explica Dom Abarbanel, é assim que a identidade de Moisés estava clara para ela. Ao ver Aaron, um menino visivelmente vestido como um “hebreu” chorando profundamente pelo amor de seu irmão, ela imediatamente entende quem realmente é essa criança.

Visto desta maneira, podemos tirar uma conclusão poderosa. Foi o amor e o cuidado de um irmão para outro que abriram o caminho para o Êxodo e para o futuro do Povo Judeu.

Shabat Shalom!

Rabino Eli Rosenfeld
chabadportugal.com


A história do Judaísmo em Portugal é uma fina tapeçaria rica em desafios e sucessos ao longo de tempos imemoriais. As terras portuguesas produziram e acolheram alguns dos nossos maiores Rabinos e líderes. Desde o estadista, líder, e sábio, Rabino Dom Yitzchak Abarbanel até ao autor do Shulchan Aruch, o Rabino Yosef Karo no século dezasseis até mais recentemente ao tempo que passou em Lisboa em 1941 o Grande Rabino de Lubavitch, o solo Portugal foi testemunha de importantes contribuições para o reforço das comunidades Judaicas e da sua compreensão e aderência à Torah.

É em reconhecimento da natureza imorredoira destas contribuições e em honra de todos os Judeus que ao longo de tempos de glória e deescuridão residiram em Portugal, que estes comentários da autoria dos grandes Rabinos de Portugal vos são aqui apresentados – aqui em Portugal.

Um agradecimento especial ao Rabino Shlomo Pereira pela tradução deste texto para português.