Rabi Eli Rosenfeld – Parashat “Vaerá” – Chabad Portugal

A nossa parashá começa com um diálogo entre D-us e Moisés e Aarão. Moisés mostra repetidamente a sua preocupação em ser um mensageiro digno, em ser capaz de efetivamente comunicar a mensagem de redenção do Egipto.

É no meio deste longo diálogo, onde encontramos um verso com uma formulação curiosa. “D-us falou a Moisés e Aarão e ordenou aos Filhos de Israel e ao Faraó, Rei do Egito, para trazerem os Filhos de Israel da Terra do Egipto”. Shemot 6:13)

Os comentaristas lutam com a estrutura desta frase em torno do mandamento implícito que fica aos “Filhos de Israel”.

Por que é que as instruções referents ao Êxodo, seriam dirigidas ao Povo Judeu?

De facto, muitos comentaristas vêem essas instruções, como sendo entregues a Moisés, não ao Povo Judeu, mas sobre o Povo Judeu. Como Rashi escreve, a Moisés foi dito para lidar com eles gentilmente e com paciência.

O Rabino Abrão Sabá, no seu trabalho o Tzror Hamor, explica o mandamento de forma diferente, não como instruções para Moisés, mas directamente para o Povo Judeu.

De acordo com o Rabino Sabá estas foram palavras de D-us garantindo a Moisés que o Povo Judeu será finalmente receptivo e irá ouvir a sua mensagem.

Com esta abordagem o verso pode ser compreendido da seguinte maneira. A Moisés está sendo dito para se não preocupar sobre como será percebido, D-us garantirá que tanto o Faraó como o Povo Judeu o tratarão com o devido respeito.

Na verdade, com esta explicação a longa interrupção, onde a Torá apresenta a genealogia de Moisés e Aarão, encaixa-se perfeitamente.

Isto é parte do “mandamento” para o Povo Judeu, ilustrando como Moisés e Aarão são de fato os mais qualificados para a liderança do Povo Judeu e instruções ao Povo para seguir o seu chamamento.

Shabbat Shalom!

Rabino Eli Rosenfeld
chabadportugal.com

 


A história do Judaísmo em Portugal é uma fina tapeçaria rica em desafios e sucessos ao longo de tempos imemoriais. As terras portuguesas produziram e acolheram alguns dos nossos maiores Rabinos e líderes. Desde o estadista, líder, e sábio, Rabino Dom Yitzchak Abarbanel até ao autor do Shulchan Aruch, o Rabino Yosef Karo no século dezasseis até mais recentemente ao tempo que passou em Lisboa em 1941 o Grande Rabino de Lubavitch, o solo Portugal foi testemunha de importantes contribuições para o reforço das comunidades Judaicas e da sua compreensão e aderência à Torah.

É em reconhecimento da natureza imorredoira destas contribuições e em honra de todos os Judeus que ao longo de tempos de glória e deescuridão residiram em Portugal, que estes comentários da autoria dos grandes Rabinos de Portugal vos são aqui apresentados – aqui em Portugal.

Um agradecimento especial ao Rabino Shlomo Pereira pela tradução deste texto para português.