Rabino Eli Rosenfeld – Parashat “Bo” – Chabad Portugal

Uma vela

Nesta Parashá desta semana, o Povo Judeu, recebe a Mitzvá relativo à celebração do Dia Santo de Pesach.

Dois dos elementos que definem Pessach são a Mitzvá de comer Matzá, enquanto ao mesmo tempo se abster de comer, ou mesmo possuir, produtos de levadura. Como a Torá declara “No dia catorze do mês, à tarde, comerás Matzá … Durante sete dias não haverá levedura em tuas casas.” (Shemot 11: 18-19).

A um nível prático, estas instruções deixam-nos com duas preocupações básicas quando nos preparamos para o Pesach. Em primeiro lugar para garantirmos que temos Matzá para comer, e em segundo lugar, para nos certificarmos que nenhum chametz (levedura) permanece em nosso poder.

O Talmude diz-nos que para procurar corretamente chametz, precisamos procurar à luz de uma vela. A luz focalizada da vela é a melhor ferramenta para procurar em lugares recônditos. No entanto, é preciso ter cuidado, diz o Talmude, em não usar uma tocha, a qual não é permitida na procura de chaemtz. Mas por que não? Se a luz da vela é considerada benéfica para fins de busca não seria uma tocha mais poderosa ainda mais benéfica?

Dom Abarbanel na sua análise desta Mitsvá vê um significado profundo e uma mensagem subjacente representada pela eliminação física do chametz. O chametz, diz-nos ele, representa em nós a Yetzer Hará, a inclinação para o mal. Procurar “chametz”, é a obrigação de procurar e eliminar os nossos maus comportamentos e hábitos.

No entanto, temos de evitart usar uma tocha. Assim como a um nível prático, procurar com uma tocha seria perigoso e preocupante. Como Rashi escreve, se alguém está preocupado com a sua casa poder pegar fogo, certamente não irá procurar adequadamente o chametz. O mesmo se passa ao procurarmos o nosso chametz interno.

Uma luz de vela é necessária para encontrar as  nossas falhas internas, o que leva leva paciência e diligência. Exige reflexão e honestidade. Precisamos de focar uma luz brilhante para ultrapassar os nossas tendências inatas. No entanto, a pesquisa com uma “tocha” não é permitida. Precisamos ter cuidado, para que o nosso corpo permaneca saudável garantindo que não há danos colaterais. Assim como nós não queremos que uma casa seja queimada, a Torá quer também garantir o nosso bem-estar físico.

Enquanto a busca de chametz físico é limitada a uma vez por ano, a busca do chametz espiritual é para toda a vida, ao sempre tentarmos o nosso melhor cumprir a direção da Torá e Mitzvot.

Shabat Shalom!

Rabino Eli Rosenfeld


A história do Judaísmo em Portugal é uma fina tapeçaria rica em desafios e sucessos ao longo de tempos imemoriais. As terras portuguesas produziram e acolheram alguns dos nossos maiores Rabinos e líderes. Desde o estadista, líder, e sábio, Rabino Dom Yitzchak Abarbanel até ao autor do Shulchan Aruch, o Rabino Yosef Karo no século dezasseis até mais recentemente ao tempo que passou em Lisboa em 1941 o Grande Rabino de Lubavitch, o solo Portugal foi testemunha de importantes contribuições para o reforço das comunidades Judaicas e da sua compreensão e aderência à Torah.

É em reconhecimento da natureza imorredoira destas contribuições e em honra de todos os Judeus que ao longo de tempos de glória e deescuridão residiram em Portugal, que estes comentários da autoria dos grandes Rabinos de Portugal vos são aqui apresentados – aqui em Portugal.

Um agradecimento especial ao Rabino Shlomo Pereira pela tradução deste texto para português.