Rabino Eliahu Birnbaum – Parashat “Ytró”: A custódia pessoal que exerce D’s sobre cada um de nós – Shavei Israel

In: http://casadosanussim.shavei.org/2017/02/17/a-custodia-pessoal-que-exerce-ds-sobre-cada-um-de-nos/


Nos deparamos nesta Parashá com um dos legados mais importates que o judaísmo brindou a humanidade. Na Parashá de Itró são apresentados os dez mandamentos ao Povo de Israel.

Curiosamente, o compêndio conhecido como “dez mandamentos” começa com uma frase completamente distante daquilo que poderia ser definido com um mandamento: “Eu Sou Teu D’s”, e explica, “Que lhe retirei da terra do Egito, da casa da escravidão.” D’s se apresenta desta maneira a cada um de nós, plantando a semente da qual nascerá a fé e a fidelidade, tanto em conduta quanto em pensamento, dos preceitos que na sequência nos conscientizará.

O estilo com o qual o Criador se apresenta ao seu povo, marca uma diferença essencial entre o judaísmo e a maioria das outras religiões. O deus que se apresenta neste primeiro mandamento não é uma divindade prescindente que criou o mundo e se reclusou em sua realidade transcendental. Também não se trata de um deus cujas atitudes nos lembram a aquelas praticadas pelo homem, vingativo e ansioso de protagonimo. A Torá nos apresenta um D’s pessoal, direto, que participa e acompanha a vida de cada pessoa. Um D’s para qual a criação é um processo constante, que se renova a cada instante e em cada ação, manifestando-se de uma maneira harmônica entre o verbo divino e as ações humanas.

A apresentação do Criador não faz menção a criação do céu e da terra, uma vez que tal dato não contribui em nada a relação do homem com seu D’s. O D’s que retirou o povo do Egito, que salvou da escravidão, é um D’s participativo, que exerce uma supervisão pessoal com cada indivíduo, que não delimita Sua responsabilidade e que intervém na história.

Para encerrar, no texto deste primeiro mandamento se encontram os fundamentos do compromisso e da autoridade. Não existe doutrina religiosa sem um sistema normativo vertical que se origine com a fé.

O D’s que celebra Sua participação na vida de cada indivíduo, deixa nas mãos do homem a decisão de aceitar o reprovar Sua realidade. O homem pode aceitar os ensinamentos e a doutrina que lhe foram oferecidas ou reprová-las. Contudo, deve ser conquente com suas próprias decisões uma vez que se aproveitou de uma liberdade completa no momento de escolher. D’s convoca um compromisso absoluto de nossa parte, fundamento unicamente em nossa liberdade de escolher.