Rabino Eli Rosenfeld – Parashat “Ytro” – Casa Chabad de Portugal

Yitro

A leitura da Torá deste Shabat contém os Dez Mandamentos, que D-us deu no Monte Sinai ao Povo Judeu.

Embora este seja certamente um destaque deste Shabat em particular, O Rabino Yosef Ibn Chayon, rabino de Lisboa no Séc. XV, vê nisto uma referência bíblica direta para fazer os Dez Mandamentos um elemento central de cada Shabat.

Ao descrever as duas tábuas que foram gravadas com os Dez Mandamentos, a Torá usa a seguinte linguagem; “As Tábuas foram obra de D’us” (Shemot 32:17). O que signifca a Torá com esta descrição? Existe algo em particular que possamos aprender com esta escolha de palavras?

A resposta diz o Rabino Chayon, encontra-se num outro lugar na Escritura onde encontramos uma linguagem similar.

Nas orações do Shabat, tanto na noite de sexta-feira como na manhã de Shabat, recitamos o Capítulo 92 de Tehilim. O salmo começa, “Uma canção para o Shabat.” Alguns versos mais tarde, o verso diz: “Porque tu me fizeste feliz, D-us … com a obra das tuas mãos cantarei.” (Tehilim 92: 1-5)

Esta é a lição que a Torá nos quer transmitir. Enquanto todos os dias há oportunidades para fortalecer nosso relacionamento com D-us, há apenas um dia da semana projetado para nos fazer cantar.

O Shabat, quando as mentes estão livres de outras responsabilidades e tarefas, é um dia em que podemos ser felizes quando pensamos no “trabalho de D-us”. A serenidade e a paz que o caracterizam, é na sua essência uma oportunidade para nos dedicarmos aos “Dez Mandamentos”, o estudo da Torá.

Cada Shabat temos a capacidade de contemplar e de conectar com D-us através da concentração nos seus Dez Mandamentos, na sua Torá, “a obra de Suas mãos”.

É por isso que a Torá emprega essa linguagem única ao descrever os Dez Comandantes. Toda a semana podemos realizar grandes coisas, mas é apenas o Shabat que tem o potencial para nos fazer cantar.

Shabat Shalom!


Rabino Eli Rosenfeld

chabadportugal.com

A história do Judaísmo em Portugal é uma fina tapeçaria rica em desafios e sucessos ao longo de tempos imemoriais. As terras portuguesas produziram e acolheram alguns dos nossos maiores Rabinos e líderes. Desde o estadista, líder, e sábio, Rabino Dom Yitzchak Abarbanel até ao autor do Shulchan Aruch, o Rabino Yosef Karo no século dezasseis até mais recentemente ao tempo que passou em Lisboa em 1941 o Grande Rabino de Lubavitch, o solo Portugal foi testemunha de importantes contribuições para o reforço das comunidades Judaicas e da sua compreensão e aderência à Torah.

É em reconhecimento da natureza imorredoira destas contribuições e em honra de todos os Judeus que ao longo de tempos de glória e deescuridão residiram em Portugal, que estes comentários da autoria dos grandes Rabinos de Portugal vos são aqui apresentados – aqui em Portugal.

Um agradecimento especial ao Rabino Shlomo Pereira pela tradução deste texto para português.