Rabino Elia Rosenfeld – Parashat “Tetzavei” – Chabad Portugalia

Tetzave

A Parashá desta semana refere as roupas especiais que eram usadas pelo Cohen Gadol quando  realizava o Serviço no Templo Sagrado. Um dos itens especiais usados ​​era o Choshen, uma placa especial de ouro usada no peito do Cohen Gadol. Embutidos nesta placa estavam doze pedras preciosas representando as Doze Tribos de Israel. As pedras tinham os nomes das doze tribos nelas inscritas diretamente.

Embora haja muitas opiniões sobre como o produto final apareceu, vamos apresentar a opinião e interpretação do Rabino Yitschac Caro (o tio do Rabino Yosef Caro, autor do Shulchan Aruch, Código da Lei Judaica.) No final do século XV, o Rabino Yitschac Caro mudou-se para Lisboa como Rosh Yeshiva, um professor de Torá. Depois de fugir de Portugal, publicou um volume chamado “Toldot Yitschac”, um comentário à Torá.

No seu comentário à Parashá desta semana, ele define a pedra que carregava o nome da tribo de Zevulun como sendo uma pérola. O que é que podemos aprender com uma pérola, e qual é a razão por que representa a tribo de Zevulun?

Como é bem sabido, a tribo de Zevulun eram comerciantes, navegando constantemente os mares ao perseguiam oportunidades de comércio. Como Jacó afirmou nas suas bênçãos finais aos seus filhos: “Zevulun habitará a costa dos mares; ele estará no porto dos navios. “(Bereshit 49:13). Isto, diz o Rabino Caro, é a ligação entre Zevulun e a pérola. A forma da pérola com suas propriedades redondas, evocam o mar. A rota circular que se faz enquanto circunda as águas do mar, é o que a tribo de Zevulun fazia constantemente.

Além disso, a forma circular tem um significado mais profundo. O objetivo dos negócios e viagens de Zevulun, não era a acumulação de riqueza para si mesmo, mas sim para apoiar o estudo da Torá e da erudição nestas matérias. Isto mais uma vez, diz o Rabino Caro, é evocativo da maneira que D-us projetou este mundo com sua natureza circular. O ciclo de mudanças constantes da vida, estão lá para nos lembrar de uma verdade essencial. As nossas bênçãos de sucesso são concedidas, quando usamos os nossos recursos para o bem além do benefício próprio. Isto promove a natureza cíclica da relação de dar e receber, assegurando assim as bênçãos continuadas de D-us.

A pérola, portanto, lembra-nos duas coisas ao mesmo tempo, a atividade professional da tribo de Zevulun e a motivação para tal actividade.

Shabat Shalom e Feliz Purim!

Rabino Eli Rosenfeld

chabadportugal.com

A história do Judaísmo em Portugal é uma fina tapeçaria rica em desafios e sucessos ao longo de tempos imemoriais. As terras portuguesas produziram e acolheram alguns dos nossos maiores Rabinos e líderes. Desde o estadista, líder, e sábio, Rabino Dom Yitzchak Abarbanel até ao autor do Shulchan Aruch, o Rabino Yosef Karo no século dezasseis até mais recentemente ao tempo que passou em Lisboa em 1941 o Grande Rabino de Lubavitch, o solo Portugal foi testemunha de importantes contribuições para o reforço das comunidades Judaicas e da sua compreensão e aderência à Torah.

É em reconhecimento da natureza imorredoira destas contribuições e em honra de todos os Judeus que ao longo de tempos de glória e deescuridão residiram em Portugal, que estes comentários da autoria dos grandes Rabinos de Portugal vos são aqui apresentados – aqui em Portugal.

Um agradecimento especial ao Rabino Shlomo Pereira pela tradução deste texto para português.