Sobre a Comunidade Judia de Faro

O Cemítério Judeu de Faro (Clique na imagem para ter acesso ao artigo do “PÚBLICO”)

Um rabi veio de Chicago para Albufeira para construir uma comunidade do zero. Uma brasileira quer recuperar a história esquecida. A herança da comunidade judaica de Faro já foi grande e influente. A história conta-se num cemitério, mas há algo de novo entre os judeus do Algarve

O encontro com o rabi Zev Schwarcz está marcado para um café grande e moderno na zona nova de Albufeira. É fácil reconhecer o americano de 50 anos – é o homem alto, de camisa branca, casaco preto e kippa na cabeça a conversar em inglês com a responsável da cozinha.

Está a fazer-lhe uma série de perguntas para tentar perceber se aquela cozinha obedece às regras kosher – seguidas pelos judeus ortodoxos – e se há condições para ele dar um certificado kosher a este café-restaurante, o que significa indicar a todos os judeus que por aqui passem que este é um sítio onde podem comer de acordo com as regras da lei judaica.

Para isso é preciso, por exemplo, que as facas que são usadas para cortar carne não se misturem com as outras – porque o que um rabi pode certificar num país como Portugal é a comida vegetariana. Nesta cozinha não há problemas. Apesar de não saber exactamente o que significa kosher, a chefe de cozinha mostra como as bancadas estão separadas e há até cores diferentes para o material usado para a carne e para os legumes.

O rabi faz mais algumas perguntas, prestando especial atenção aos produtos derivados dos animais, como os queijos, e depois lembra-se do problema dos bolos, por exemplo – ele próprio quando chegou a Portugal comeu, sem saber, um bolo que tinha entre os seus ingredientes gelatina de base animal, e isso é algo que não deve acontecer.

Zev tem muita experiência na certificação de alimentos kosher, actividade a que se dedicava já nos Estados Unidos, antes da aventura de atravessar o Atlântico, com a mulher e a filha de três anos, e instalar-se no Sul de Portugal, nesta terra cheia de turistas – alguns dos quais judeus – da qual há pouco mais de um ano não sabia nada. Mas era precisamente de um sítio assim que andava à procura.

A história é longa e sentamo-nos a uma mesa do café para a ouvir. Zev Schwarcz tem 50 anos e nasceu em Chicago. O pai era rabi e ele sempre quis sê-lo também. “O meu pai era um pioneiro, andava sempre à procura de comunidades que pudesse ajudar”, conta. Mas não lhe agradava que o filho seguisse a mesma carreira. “Nenhum rabi quer que o filho o seja porque não é uma forma de ganhar dinheiro, e é uma tarefa difícil.” Mas Zev estava decidido.

“Fui rabi durante 12 anos nos Estados Unidos, mas pensei que gostaria de ir para um sítio onde pudesse construir alguma coisa do início.” Depois de uma série de viagens – México, Costa Rica, Palma de Maiorca – e de várias possibilidades que acabaram por não se concretizar, veio parar a Portugal. Chegou inicialmente ao Porto, mas depois, através de contactos em Sevilha, onde também andavam à procura de um rabi, chegou ao Algarve.

Mas a história que o rabi Zev conta à mesa do café está cheia de peripécias. Não foi fácil chegar até aqui. E, indirectamente, acabou por ser por causa do pai que isso aconteceu. “A certa altura o meu pai ficou doente e eu estive oito meses em Chicago a acompanhá-lo. Quando ele morreu, fomos enterrá-lo a Israel.” E foi no regresso que fez uma paragem aqui.

O que é curioso é que a presença judaica no Algarve, apesar de muito antiga, tem sido por ciclos – tempos áureos alternaram com períodos em que praticamente deixou de haver judeus na zona. Mas essa é uma história que o rabi vindo de Chicago ainda não conhece com todos os detalhes, por isso é altura de nos apresentar outra pessoa.

Aleksandra Serbim é brasileira, mas casada com um alentejano, e uma apaixonada pela cultura judaica. Licenciada em Psicologia e com mestrado em Antropologia, foi uma das investigadoras envolvida no projecto de recuperação daquela que foi identificada como a “primeira sinagoga das Américas”, no Recife, e na criação de um percurso turístico contando a história dos judeus do Recife. “Fui eu quem localizou em Olinda a casa de Branca Dias [portuguesa, figura histórica do século XVI, perseguida e condenada pela Inquisição no Brasil]”, conta, orgulhosa.

Uma história que é também dos portugueses – foram sefarditas de origem portuguesa, vindos da Holanda, que em meados do século XVII se instalaram no Recife fundando a sinagoga Kahal Zur Israel, que teve à frente o rabi Isaac Aboad da Fonseca (derrotados depois pelas tropas holandesas, foram obrigados a fugir e foram ter a Nova Amsterdão, hoje Nova Iorque, onde fundaram a primeira comunidade judaica da América do Norte).

Aleksandra conta a história com enorme entusiasmo. “O meu avô era judeu, da Rússia, fugiu dos pogroms e foi para o Brasil. Eu só depois de adulta é que me reencontrei com esta raiz judaica.” Quando chegou ao Algarve, em 2005, a primeira coisa que lhe chamou a atenção foi a existência de muitos nomes ligados aos judeus: Vale do Judeu, Sinagoga, Fonte do Judeu Morto, Monte Judeu. “Pensei: vou encontrar aqui vários seminários e professores que estão a par desta história e vão-me explicar. Mas, para minha frustração, nada – ninguém sabia, ninguém comentava. Só se falava da época islâmica, dos mouros, e dos romanos. Nenhum encontro, nenhum seminário, nada sobre a presença judaica.”

Decidiu lançar-se ao trabalho sozinha e fazer um levantamento nas bibliotecas e nos museus. “Comecei a anotar no mapa do Algarve todos os pontos por onde os judeus passaram mas que infelizmente não são divulgados.” Tem feito perguntas aos arqueólogos, mas também estes têm dúvidas. “Não foram formados para identificar os artefactos judaicos, por isso há peças que foram encontradas mas como não foram identificadas a história não é contada e fica uma grande lacuna, o que é uma injustiça para os judeus que estiveram aqui.” Acredita, por exemplo, que, por falta de identificação, um mikvé (piscina para banhos rituais) idêntico ao que ajudou a localizar a sinagoga do Recife, tenha ficado debaixo de uma auto-estrada.

Aleksandra acredita que é possível fazer-se no Algarve o mesmo que se fez no Recife: recuperar a história, construir um circuito, e atrair muitos turistas que estão interessados em conhecer esse lado do Algarve. Traz na mala uma fotocópia com um poema de João Pinto Delgado (1585-1653), “que foi o mais famoso poeta marrano da Península Ibérica”, que foi para Ruão e depois para Amsterdão, fugindo da Inquisição. Escrito em castelhano e intitulado “La Salida de Lisboa“, o poema começa assim: “Aquí está la infame puerta,/la del olivo y la espada,/Para salir tan cerrada,/Y para entrar tan abierta.”

“Os documentos existem, os dados estão lá todos, mas é um quebra-cabeças que eu estou a tentar montar. Tenho todos os nomes dos judeus que moravam em Silves, Alcoutim, Lagos, Portimão, e noutras partes, sei onde eram as sinagogas, as judiarias. Adoro ir seguindo pistas.” Esse mapeamento do Algarve desde o início da presença judaica (há sinais dessa presença desde o século VI) já está feito. O problema, diz, é que para passar para a segunda fase do projecto precisa de apoio de arqueólogos, de técnicos, numa palavra, precisa de financiamento para poder avançar.

Mas há mais apaixonados pelo Algarve judaico. Combinamos com o rabi Zev irmos até Faro para conhecer o cemitério judaico que foi recuperado e onde hoje funciona o Centro Histórico Judaico. Atravessamos um parque de estacionamento e, por detrás de um muro branco, está o pequeno cemitério. Parece que entrámos noutro mundo. O pequeno terreno rodeado pelo muro branco está silencioso, sob um sol agradável de princípio de tarde.

As campas estão à nossa frente – algumas são de crianças e são apenas montinhos no chão cobertos de pequenas pedras redondas. Outras têm lápides funerárias, todas na horizontal (tombadas, à maneira dos judeus sefarditas vindos do Norte de África) e inscrições em hebraico. António Valente, o guia do cemitério e do museu, e outro apaixonado pela história dos judeus do Algarve, leva-nos até uma lápide rodeada por um pequeno murete baixo, e com uma pedra que se percebe que é mais antiga. Lê-se, em hebraico: “Pedra sepulcral de um verdadeiro sábio, louvado em Israel, nascido de sábios – Rabi Joseph Toledano. Morreu na sexta-feira 12 de Adar 5598 [corresponde ao ano de 1838 no calendário cristão]. Que a sua alma se una à porção da vida.”

É aqui nestes 106 túmulos que repousa o que resta da próspera e influente comunidade de Faro – 60 famílias e um nome pelo qual era conhecida: Pequena Jerusalém. Até há pouco tempo, o túmulo mais antigo era o do rabi Toledano e o mais recente, com a data de 1932, o de Abraham Ruah, o último judeu da comunidade a morrer em Faro. Mas agora há um outro túmulo – já lá vamos a essa história.

Para já, António Valente quer levar-nos numa viagem no tempo. Foi no final do século XIX que estes judeus chegaram ao Algarve, vindos do Norte de África, e foi em 1851 que três deles, Joseph Sicsu, Moses Sequerra e Samuel Amram, compraram este terreno para o cemitério (em cima do portal de entrada surge a data de 5638, correspondente a 1887, mas calcula-se que seja a da construção do muro envolvente).

O Dicionário do Judaísmo Português (ed. Presença) conta que estas famílias – nomes como Amram, Ruah, Ezaguy, Levi, Sequerra, Abecassis – eram de Marrocos e Gibraltar, geralmente detentoras de passaporte britânico, e dedicavam-se ao comércio. “Samuel Amram terá sido o primeiro judeu a chegar ao Algarve, vindo de Tetuão, num simples barco à vela, em 1813. Segundo o bisneto, Salomão Sequerra Amram, terá herdado dos seus pais, artistas de teatro, um lado aventureiro que o levou a procurar outras paragens e outras gentes.”

“Vieram porque confiaram no Marquês [de Pombal]”, explica António Valente, que fez um meticuloso trabalho de identificação de todos os locais ligados a estas famílias em Faro, e um mapa onde localiza as casas e os negócios (são organizados desde final de 2010 passeios a pé pela Baixa de Faro). Os judeus tinham sido expulsos de Portugal pelo édito de D. Manuel em 1496 e muitos tinham ido para o Norte de África. Mas depois do terramoto de 1755, o Marquês convida-os a regressar para ajudar a recuperar a economia. Fazem umas tentativas, mas só começam a regressar a partir do início do século XIX. Chamam a si próprios “retornados”.

Valente aponta para o túmulo de Samuel Amram. “Criou aqui a primeira plantação de tabaco e foi o primeiro a fabricar cigarros, e criou também a primeira fábrica de cortiça em Faro. Comprava cereais no Alentejo e exportava-os para Marrocos, Tunísia, Argélia.”

A admiração de António Valente por estes homens e mulheres que se lançaram a vários negócios é enorme. Num texto que escreveu enumera: “Instalaram fábricas de cortiça (prancha e rolhas), plantação de tabaco e indústria de cigarrilhas e fábricas de conservas de peixe. Importavam carvão directamente de Newcastle e exportavam figos, amêndoas e alfarrobas para França, Inglaterra e Gibraltar. Foram proprietários de leitarias, confeitarias, botequins e antiguidades. Representaram multinacionais e companhias de seguros. Eram relojoeiros e artesãos e foram também funcionários públicos.”

Um edifício importante nesta história é o do actual Museu de Faro. “Foi um convento, mas antes de ser convento era judiaria, abandonada depois do édito de D. Manuel. O convento teve vários problemas, “teve de ser restaurado 12 vezes” e nunca chegou a ter o número máximo de freiras. Mais tarde, depois da extinção das ordens religiosas, foi transformado em armazém de peixe, até que Samuel Amram o compra para aí instalar uma caldeira para cozer cortiça. “Durante 100 anos foi uma fábrica de cortiça”, conta Valente.

Depois há outras histórias como a da visita do rei D. Carlos e da rainha D. Amélia a Faro. Os reis ficaram no paço episcopal mas o bispo teve de ir pedir a Abraão Amram que emprestasse talheres de prata, faianças, e móveis do seu palacete de Faro para receber condignamente o casal real. O mapa de António Valente identifica todos esses palacetes que as famílias judias tinham no centro da cidade – ainda lá estão alguns, incluindo o Clube Farense, que Samuel Amram ofereceu ao clube. Só não restam vestígios das duas sinagogas (uma mais rica, outra mais pobre), uma de 1869 na Rua Manuel Belmarço e outra de 1820, na Rua Castilho, cujo mobiliário foi preservado e está hoje no museu do Centro Histórico Judaico, situado no cemitério.

Curiosamente, o convento/fábrica de cortiça que pertenceu a Samuel Amram está ligado a outro acontecimento da história judaica do Algarve: foi aí, na antiga judiaria, que em 1487 Samuel Gacon fez na sua oficina o primeiro livro impresso em Portugal, O Pentateuco, que foi levado para Inglaterra e hoje está na Biblioteca Britânica (em Portugal está apenas uma cópia microfilmada). Outra coisa que António Valente lamenta profundamente é o facto de a pedra tumular de Josef Dotomb, datada de 1315 e que foi encontrada no local onde está agora o cemitério (comprovando, diz, a existência de judeus em Faro na Idade Média) ter sido levada para o Museu Judaico de Tomar por o nome, escrito em hebraico, ter sido identificado como Joseph de Tomar.

Em 1932, a morte de Abraão Ruah coincide com o declínio da comunidade de Faro. O último sobrevivente da família, José Ruah, ainda fica na cidade, mas morre nos anos 40 e já não está enterrado neste cemitério. Chegamos assim à campa mais recente, ainda apenas com terra. É a sepultura de Ralf Pinto, aqui enterrado a 14 de Agosto de 2011. Figura determinante para a comunidade, vindo há mais de 20 anos da África do Sul com a sua mulher Judith, Ralf Pinto, que tinha raízes portuguesas, tentou criar uma rede entre os judeus que viviam no Algarve. Mas aquela que tinha sido a certa altura uma comunidade grande e importante estava agora reduzida a um punhado de pessoas, a grande maioria estrangeiros a gozar a reforma.

António Valente conduz-nos até à parede exterior da Casa Tahara, onde estão algumas fotografias antigas que ajudam a conhecer a história de Pinto, que foi presidente da Comunidade Judaica do Algarve e director de operações da obra de recuperação do cemitério – um projecto lançado e financiado por outra figura fundamental, Isaac Bitton.

Nascido na África do Sul, Ralf Pinto tentou reconstituir a história da família, que poderá ter origem em cristãos-novos fugidos para a Holanda e que depois vão para a Alemanha e por fim para a África do Sul. Uma das fotos mostra uma família em pose, alguns sentados num sofá, outros em pé atrás – alguns deles ficaram na Alemanha e foram mortos em Auschwitz.

A certa altura, Isaac “Ike” Bitton – descendente dos judeus “retornados” que vieram para o Algarve no século XIX, e neto do homem que construiu uma das sinagogas de Faro – veio ao Algarve (embora tivesse nascido em Lisboa e tivesse emigrado em 1959 para os EUA, onde fundou uma empresa de mobiliário que chegou a fornecer a Casa Branca) para ver as campas dos antepassados e ficou impressionado com o estado de abandono em que se encontrava o pequeno terreno do cemitério. Decidiu então financiar a sua recuperação e encarregou Ralf Pinto de coordenar o processo.

Mas Bitton morreu em 2006, e Ralf Pinto em 2011, a poucas semanas da chegada do rabi Zev Schwarcz ao Algarve. Os dois homens tinham-se conhecido numa visita anterior, mas o rabi ainda não se tinha instalado definitivamente. Agora, sem Ralf Pinto, a missão de unir uma comunidade composta em grande parte por não-portugueses é mais difícil. Mas o rabi Zev gosta de desafios, sonhava precisamente começar do início, e pôs-se a trabalhar.

Almoçamos no restaurante Gengibre e Canela, em Faro, vegetariano, ligado aos princípios do ioga e da alimentação natural, e por isso ideal, segundo o rabi, para receber a certificação kosher, que lá está, numa parede, especificando que respeita todas as regras excepto na altura da Páscoa, quando as normas kosher se tornam muito mais apertadas, e com excepção do vinho e do vinagre (que não podem ser manipulados por não-judeus).

O rabi conta que conheceu entretanto um casal português que está a fazer azeite no Algarve – a marca Jóia do Sul já recebeu um prémio num concurso de azeites em Israel – e que ela, Alexandra Monteiro, começou a interessar-se por investigar mais a fundo se tem ou não raízes judaicas. Loira, sorridente e decidida, Alexandra conta-nos mais tarde a história. Foi ter conhecido o rabi – que está a certificar o azeite como kosher – que a levou a querer esclarecer a história da sua família.

Zev disse-lhe que era muito possível que o nome Maasberg fosse de origem judaica. “Para mim, isto é tudo uma novidade”, diz Alexandra. “Sei que a minha avó era polaca e que o meu avô fugiu para a Holanda.” Mas há um certo mistério em torno das origens deste avô que terá fugido para não pertencer às SS. Os documentos da família perderam-se nas várias mudanças de país, mas Alexandra está agora a tentar localizar um primo afastado que poderá ter em sua posse uma árvore geneológica que uma tia terá feito. As pistas são frágeis. E embora seja algarvia não sabia da existência de uma comunidade judaica no Algarve. Mas soube sempre que tinha um espírito inconformado e combativo que não não tem nada a ver com o lado “impávido e sereno” português. Será o lado judaico?, interroga-se agora.

São pequenas histórias como esta que vão animando o rabi a continuar o seu trabalho. Pessoas que vêm ter com ele para lhe perguntar se acha que o apelido que têm pode ter raízes judaicas, um casal de brasileiros que quer converter-se, as aulas que vai dando por Skype, a comunicação que estabeleceu pelo Facebook com várias pessoas, não apenas no Algarve.

Enquanto no apartamento que entretanto alugaram, a sua mulher, de origem russa, desenha jogos para a filha de três anos aprender letras e histórias de países, o rabi estabelece contactos que vão dando frutos. Um hotel de Albufeira cedeu à comunidade uma sala com vista para o mar onde podem fazer os serviços religiosos. Já foi possível juntar pessoas para algumas das principais festas do calendário judaico. Já há um espaço para a comunidade se juntar no shabbat. E já há uma Torah (os cinco livros sagrados do judaísmo), que o rabi conseguiu emprestada de Gibraltar – e uma condição indispensável para que exista comunidade é que haja dez homens e uma Torah.

Se este é (mais um) renascimento da comunidade judaica do Algarve, ainda é cedo para dizer. Mas o rabi está contente. “Há um rapaz que vai fazer o barmitzvá [cerimónia da maturidade religosa dos jovens] em Setembro. Provavelmente será o primeiro bar mitzvá em 100 anos”. Tal como o casamento do filho de Ralf e Judith Pinto, em 1999, foi o primeiro em cinco séculos em Portimão, conta António Valente. E realizou-se em frente à sinagoga que tinha sido abandonada no tempo da Inquisição.

Apesar de ser de Chicago e Chicago ser muito longe de tudo isto, o rabi Zev acha que este passado, toda a história dos judeus do Algarve, é muito importante. Mas lembra que o passado só faz sentido se houver presente: “É como termos uma série de zeros. Sozinhos não valem nada, mas se lhes pusermos um 1 antes passam a valer um milhão.”