Céu e Terra: Comentário sobre a Parashá da Torá de Shemini – Shavei Israel

In: http://casadosanussim.shavei.org/2017/04/21/ceu-e-terra/

A porção da Torá de Shemini tem o centro de sua mensagem nas regras de Kashrut e o sentido de uma distinção constante entre o que é adequado para a mesa judaica e o que não é.

Kashrut tem sido sempre um tema de debate e discussão dentro do povo judeu em sua relação com o resto do mundo, criando diferentes visões e desencadeando as mais diversas reações judaicas. Pense, por exemplo, no mundo greco-helenística e sua perspectiva do mundo judaico. Nós geralmente olhamos para a batalha com os gregos, no período de Chanuka por exemplo, do ponto de vista de Israel. A batalha do profano com o sagrado, da luz com a escuridão, da matéria com o espírito. Mas esta é uma visão muito parcial. A Grécia estava mergulhada em duas disciplinas diferentes: uma cultura de beleza e desenvolvimento do corpo e outra a filosofia que promoveu uma completa abstenção de toda a vida natural. Se tratava de dois mundos e duas realidade distantes e separadas umas das outras. A pessoa que cuidava do corpo não podia cuidar do espírito. A pessoa que estava no comando no espírito não podia cuidar do corpo. Os decretos gregos helênicos contra os judeus eram contra a união do mundo espiritual com o físico, contra o encontro entre o céu e a terra. Tomemos por exemplo a proibição da observância do Shabat: o Shabat simboliza o material, através das refeições, do vinho, da comida e bebida, mas também o espírito através do estudo da Torá, das mitzvot e a proximidade com D’us.
indo-greekbanquetPor outro lado, a Kashrut expressa o sentido da matéria, tornando-a um meio para elevar-se através dos mandamentos e destas mesmas proibições.

De acordo com este ponto de vista as duas revoltas judaicas contra o domínio grego-romano não se trataram, simplesmente, de duas rebeliões de um povo colonizado, o Judeu, contra o colonizador, o Romano.

O conflito, ou melhor, o embate entre as culturas judaica e grego-romana representavam um conflito cultural e espiritual com raízes antigas. Deste modo, a intolerância ao monoteísmo judaico do primeiro século tornou-se evidente, especialmente, contra a kashrut, como elemento associal.

O problema na verdade foi com os greco-romanos, não na Babilônia, onde o anti-semitismo não pegou. O ponto é que para o mundo greco-romano que acreditava na idéia de uma sociedade grega harmoniosa, oicumene, havia um inimigo que queria caos.

Kashrut, com suas regras, com seus ditames, com seus preceitos não é, definitivamente, um item de reunião social e não vai no sentido do oicumene. Mas sim um chamado à responsabilidade pessoal, a liberdade e o dever de escolher sempre juntar o Céu e a Terra, lutando contra o caos.