Rabi Eliahu Birnbaum – Parashat “Tzaria-Metzora: “Aquilo que se diz, expressa aquilo que é” – Shavei Israel

In: http://casadosanussim.shavei.org/2017/04/28/aquilo-que-se-diz-expressa-aquilo-que-e/

São poucas as vezes que a Torá estabelece uma relação linear de causalidade entre a ação cometida e o castigo recebido. Esta Parashá nos relata sobre uma epidemia de uma variação, não clássica, da lepra, conhecida em hebraico como “Tsara’at”, que atinge a todos aqueles que pecam através da injúria (Lashon Hará).

“Tsara’at”, não é uma patologia física e sim, espiritual. É a manifestação exterior de um desvio interior do indivíduo, de índole moral e espiritual. O indivíduo que calunia ou comete alguma injúria está afetando e enfraquecendo o conjunto da sociedade, ao dispersar uma raíz que contêm em seu interior algo negativo.

Assim, seu castigo é uma doença física que lhe obriga a afastar-se do acampamento, do povo, da sociedade e permanecer-se isolado, de maneira solitária. O castigo vem para corregir: ao obrigá-lo a estar sozinho, espera-se que o indivíduo comece a valorizar realmente a necessidade de formar harmoniosamente parte da sociedade. E, a cura para essa epidemia de “Tsara’at” é feita pelo Cohen – o Sacerdote, e não pelo médico – enfatizando a característica espiritual da doença e não fisiológica.

Desta Parashá se aprende que existe uma relação profunda entre a alma e o corpo da pessoa(Nefesh e Guf – respectivamente). O que acontece na mente, no pensamento da pessoa e na sua boca, não são processos isolados, e sim partes de um tod0, que inclui  uma relação de harmonia entre o corpo e alma., entre o espiritual e o material.

A Torá outorga uma importância singular a “palavra”, base da comunicação humana. Aquilo que o homem diz é aquilo que representa a pessoa em si. A palavra é tanto um meio de comunicação quanto uma expressão do interior da pessoa. A comunicação por si só é importante mas alcança somente a esfera da relação entre dois ou mais seres humanos. A expressão é a comunicação de uma pessoa com a essência de sua individualidade. O ser humano deve conhecer o conteúdo e o contexto de suas próprias palavras e identificar-se com estas antes mesmo de usar estas palavras para comunicar-se com o próximo.

O Talmud compara o “falar mal” com o assassinato, uma vez que em uma esfera muito mais sutil que o físico, é possivel danificar de maneira irreversível.

Hoje, quando vemos perdido o valor da palavra, a Torá nos lembra que o verbo pode criar e matar, e, assim, devemos procurar utilizar a palavra de manera respeituosa, para preservar a harmonia e a responsabilidade individual em cada sociedade que vivemos.