Rabi Eli Rosenfeld – Parashat Nasó – Casa Chabad Portugal

Naso

A Bênção dos Cohanim é registada na Parsha desta semana  (Bamidbar 6:24-26).  Esta fórmula imemorialé recitada nas nossas orações bem como em momentos específicos nas nossas tradições.

A estrutura desta bênção consiste em três partes, cada uma delas por sua vez dividida em três versos.

O Rabino Abraão Saba, no seu comentário Tzror Hamor explica que as três partes reflectem três possíveis razões pelas quais poderíamos beneficiar das bênçãos Divinas. 

O primeiro verso é curto e conciso. “Que o Senhor te abençoe e proteja.” Isto, diz ele, refere-se a quando a pessoa em questão, pelo seu próprio mérito, merece a bênção que lhe é concedida. O verso é portanto breve e directo.

O segundo verso, explica-nos, baseia-se nos nossos antepassados. Mesmo quando baseado nos nossos méritos próprios nao receberíamos nenhuma bênção, tais bênçãos ocorrem ainda assim devido a acções meritórias no passado.

Que o Senhor faça a Sua face brilhar para ti e ser favorável contigo.” Isto é ilustrado pela inclusão da palavra “panav” a qual em Hebraico frequentemente significa passado.

O último verso é o mais longo de todos e oferece uma fonte ainda mais profunda das bênçãos Divinas. Neste caso até mesmo os méritos das gerações anteriores podem não ser suficientes. Ainda assim, existe uma terceira via através da qual as bênçãos nos podem ainda chegar. Através de Shalom, paz.

“Que o Senhor eleve a Sua face para contigo e que te dê paz.”

Este último verso lembra-nos que ainda que haja alturas em que os nossos méritos não sejam significativos, quando somos um e uma parte integral do “Am Israel” somos abençoados colectivamente como a parte de um todo que é forte e que nunca estamos sozinhos.

Shabbat Shalom!

Rabino Eli Rosenfeld

chabadportugal.com

A história do Judaísmo em Portugal é uma fina tapeçaria rica em desafios e sucessos ao longo de tempos imemoriais. As terras portuguesas produziram e acolheram alguns dos nossos maiores Rabinos e líderes. Desde o estadista, líder, e sábio, Rabino Dom Yitzchak Abarbanel até ao autor do Shulchan Aruch, o Rabino Yosef Karo no século dezasseis até mais recentemente ao tempo que passou em Lisboa em 1941 o Grande Rabino de Lubavitch, o solo Portugal foi testemunha de importantes contribuições para o reforço das comunidades Judaicas e da sua compreensão e aderência à Torah.

É em reconhecimento da natureza imorredoira destas contribuições e em honra de todos os Judeus que ao longo de tempos de glória e deescuridão residiram em Portugal, que estes comentários da autoria dos grandes Rabinos de Portugal vos são aqui apresentados – aqui em Portugal.

Um agradecimento especial ao Rabino Shlomo Pereira pela tradução deste texto para português.