Rabi Eli Rosenfeld – Parashat “Korach – 3 Tammuz” – Casa Chabad Portugal

Na Parashá desta semana, lemos sobre a rebelião liderada por Korach contra Moshe e Aaron.

A busca de poder por Korach termina com um evento extraordinário. A Torá nos diz como: “A terra abriu a boca e engoliu-os e às suas famílias e a todas as pessoas que estavam com Korach e toda a sua riqueza”. (Bamidbar 16:32)

Por que é que a Torá faz questão de nos dizer que sua riqueza também foi engolida? O que é que podemos aprender com este pequeno detalhe?

Embora todas as pessoas que se juntaram a Korach tenham sido engolidas, a Torá diz-nos que “os filhos de Korach não morreram” (Bamidbar 26:11). Rashi explica que, embora fossem inicialmente parte da rebelião, quando a terra se abriu, eles arrependeram-se e foram salvou.

Fazendo parte de um evento tão histórico, é fascinante saber como os filhos de Korach devem ter pensado nesses momentos. Quais foram os seus pensamentos, através de tudo o estava a acontecer? Mais importante, o que é que podemos aprender com esses pensamentos?

O Rabino líder da ccmunidade de Lisboa no final do século 15, o Rabino Yosef ibn Chayon, compartilha connosco algumas idéias fascinantes sobre este episódio. No seu comentário ao Salmo 46 ele diz-nos que é aqui que os pensamentos dos filhos de Korach são registados para a posteridade.

O Salmo abre com as palavras “Para o maestro, uma canção dos filhos de Korach”, diz o Rabino Chayon, esta música foi composta pelos filhos de Korach, descrevendo a sua salvação nos acontecimentos de nossa Parashá.

“D-us é para nós um abrigo e uma força” refere-se à sua salvação ao não cair para aa profundesas da terra. E o versículo continua, “portanto, não teremos medo quando a Terra muda e quando as montanhas cambaleiam”.

No versículo seguinte, lemos uma descrição fascinante das coisas que pareciam estar abaixo da superfície da Terra naqueles momentos. “As águas devem agitar-se e ficar misturadas” (Salmo 46: 4). Isso, diz o Rabino Chayon, é uma descrição de toda a sua riqueza e dinheiro caindo nas águas nas profundezas da terra e sendo transformada numa pasta espessa.

Enquanto a descrição desses eventos pára aqui, as palavras dos filhos de Korach continuam. Alguns capítulos depois, eles nos dizem como ver riquezas e bens físicos.”Não temas quando um homem se torna rico, quando a honra de sua casa aumenta … ele não levará nada consigo ao morrer; a sua glória não descerá com dele …” (Salmo 49: 17-18)

Talvez seja por isso que a Torá inclui estas palavras sobre a riqueza de Korach. Elas fornecem-nos uma descrição em primeira mão, e mostram-nos a inutilidade de atribuir importância à riqueza e ao poder, como seus filhos nos dizem claramente.  É também um lembrete sobre a perspectiva a ter sobre os bens materiais e a capacidade de mudar para o bem a qualquer momento.

Shabat Shalom!


* Esta terça-feira, o Terceiro de Tammuz é o Iahrtzeit, – aniversário do falecimento – do Lubavitcher Rebe, Rabino Menachem M. Schneerson, de abençoada memória. Por favor, considerem a possibilidade de fazer outra Mitzvá e outra boa ação, para continuar o legado do Rebe de trazer mais luz e positividade ao nosso mundo.

Rabino Eli Rosenfeld

chabadportugal.com


A história do Judaísmo em Portugal é uma fina tapeçaria rica em desafios e sucessos ao longo de tempos imemoriais. As terras portuguesas produziram e acolheram alguns dos nossos maiores Rabinos e líderes. Desde o estadista, líder, e sábio, Rabino Dom Yitzchak Abarbanel até ao autor do Shulchan Aruch, o Rabino Yosef Karo no século dezasseis até mais recentemente ao tempo que passou em Lisboa em 1941 o Grande Rabino de Lubavitch, o solo Portugal foi testemunha de importantes contribuições para o reforço das comunidades Judaicas e da sua compreensão e aderência à Torah.

É em reconhecimento da natureza imorredoira destas contribuições e em honra de todos os Judeus que ao longo de tempos de glória e deescuridão residiram em Portugal, que estes comentários da autoria dos grandes Rabinos de Portugal vos são aqui apresentados – aqui em Portugal.

Um agradecimento especial ao Rabino Shlomo Pereira pela tradução deste texto para português.