Rabi Eli Rosenfeld – Parashat “Balak” – Casa Chabad de Portugal

Balak

Na Parsha desta semana, Balaque, o Rei de Moabe, ordena ao profeta Bilam que amaldiçoe o Povo Judeu.

Motivada pelo medo e pelo ciúme, a missão está destinada ao fracasso. Em vez de maldições, Bilam abençoa o Povo Judeu com bênçãos bonitas e poderosas.

Uma parte curiosa da história ocorre na jornada de Bilam quando ele se aproximava do acampamento do Povo Judeu. D-us tinha-lhe dito “para não amaldiçoar as pessoas porque elas são abençoadas”. No entanto, Bilam não cede e continua em frente.

Acorda no início da manhã e sela o seu burro. É aí que as coisas começam a ficar complicadas. O burro vê um anjo impedindo o caminho à frente, Bilam, por seu lado, não vê nada. Bilam fica furioso com o burro por continuamente de desviar da estrada e ataca o burro com raiva.

É aqui que acontece algo incrível. O versículo diz-nos que “D-us abre a boca do burro e o burro fala com Bilam: O que eu lhe fiz para você me atingir? ” (Bamidbar 22:28).

O Rabino Isaque Caro, no seu comentário Toldot Yitschak, imediatamente questiona a necessidade deste fenômeno único. “Por que é que D-us empregaria uma ruptura tão extraordinária com o comportamento natural para transmitir uma mensagem tão simples? Não seria mais apropriado um anjo repreender Bilam? Porque a necessidade de uma ocorrência tão milagrosa neste contexto e neste momento?

A explicação do Rabino Caro é curta e direta. Usando uma analogia simples ele ilustra-nos porque é que D-us queria que fosse especificamente o burro a fazer a conversar. Na construção, diz-nos ele, é muito mais fácil demolir e destruir, para então construir com êxito. Quem é capaz de construir algo único e criativo, pode certamente desmontar e destruir.

Ao permitir que o burro fale, D-us estava a querer fazer constatções fortes. Aquele que tem o poder de ter uma conversa através do burro, uma tarefa obviamente claramente mais difícil, pode definitivamente silenciar as palavras de negatividade e ciúme.

Shababt Shalom!

Rabino Eli Rosenfeld

chabadportugal.com


A história do Judaísmo em Portugal é uma fina tapeçaria rica em desafios e sucessos ao longo de tempos imemoriais. As terras portuguesas produziram e acolheram alguns dos nossos maiores Rabinos e líderes. Desde o estadista, líder, e sábio, Rabino Dom Yitzchak Abarbanel até ao autor do Shulchan Aruch, o Rabino Yosef Karo no século dezasseis até mais recentemente ao tempo que passou em Lisboa em 1941 o Grande Rabino de Lubavitch, o solo Portugal foi testemunha de importantes contribuições para o reforço das comunidades Judaicas e da sua compreensão e aderência à Torah.
É em reconhecimento da natureza imorredoira destas contribuições e em honra de todos os Judeus que ao longo de tempos de glória e deescuridão residiram em Portugal, que estes comentários da autoria dos grandes Rabinos de Portugal vos são aqui apresentados – aqui em Portugal.
Um agradecimento especial ao Rabino Shlomo Pereira pela tradução deste texto para português.