Rabi Eli Rosenfeld – Parashat “Ki tavo” – Chabad Portugal

Na Parashá desta semana, lemos sobre a Mitzvá de Bikurim, o mandamento de reunir os primeiros frutos maduros e trazê-los para Jerusalém.

Embora as instruções da Torá sejam muito descritivas e cheias de detalhes, não há uma explicação clara para o propósito desta Mitzvá.

Qual é o objetivo final desta Mitzvá e o que é que há de tão especial com os primeiros frutos?

O Rabino Yitzchak Caro, que liderou o Yeshiva de Lisboa no século XV, oferece uma bela interpretação sobre a profundidade e beleza desta Mitzvá.

Explica o Rabino Caro que a Torá quer inculcar em nós a importância de sermos pessoas com refinado sentido de autocontrole e de dignidade.

Naturalmente, os primeiros frutos a amadurecer são os que nos despertam maior apetite já que temos estado à espera do momento de poder apreciá-los. Em vez de agarrar a primeira fruta madura e comê-la, a Torá diz-nos para a levar e oferecer como um presente para o Cohen, o sacerdote em Jerusalém.

Além de autocontrole, isto também inculca numa  pessoa um espírito de humildade. Independetemente do estatuto da pessoa que traz a cesta de frutas, ele deve lidar pessoalmente com a fruta até que esta seja recebida pelo Cohen.

E tais são as características que esta Mitzvá se destina a suscitar em nós – ajudar a elevar o ser humano a ser uma pessoa refinada, humilde, e temerosa.


Shabbat Shalom!

Rabino Eli Rosenfeld
chabadportugal.com


 

A história do Judaísmo em Portugal é uma fina tapeçaria rica em desafios e sucessos ao longo de tempos imemoriais. As terras portuguesas produziram e acolheram alguns dos nossos maiores Rabinos e líderes. Desde o estadista, líder, e sábio, Rabino Dom Yitzchak Abarbanel até ao autor do Shulchan Aruch, o Rabino Yosef Karo no século dezasseis até mais recentemente ao tempo que passou em Lisboa em 1941 o Grande Rabino de Lubavitch, o solo Portugal foi testemunha de importantes contribuições para o reforço das comunidades Judaicas e da sua compreensão e aderência à Torah.

É em reconhecimento da natureza imorredoira destas contribuições e em honra de todos os Judeus que ao longo de tempos de glória e deescuridão residiram em Portugal, que estes comentários da autoria dos grandes Rabinos de Portugal vos são aqui apresentados – aqui em Portugal.

Um agradecimento especial ao Rabino Shlomo Pereira pela tradução deste texto para português.