Rabi Eli Rosenfeld – Cartas de Lisboa: Parashá: “Ki Teitzei” – Chabad Portugal

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“Quando construíres uma nova casa, deverás fazer um gradeamento para o teu telhado de modo a não causar [derramamento de] sangue na tua casa se a pessoa que caiu caia do telhado.”

Este verso é bem sucinto e vai directamente ao assunto, um simples mandamento para garantir que todos os bens em nosso poder – neste caso a nossa casa – não causem quaisquer danos a outrem, mesmo que inadvertidamente.

Contudo a terminologia deste verso parece algo estranha. Ao descrever a potencial vitima deste acidente, a pessoa que poderá cair, o termo “nofel” é usado – literalmente “a pessoa que caiu” ou o “caído”. Porque razão chamaria a Torah de “caído” à potencial vítima – sugerindo uma situação já ocorrida – quando cair é exactamente o que se procura evitar com este mandamento?

No seu comentário “Tzror Hamor”, o Rabino Avraham Sabba, oferece-nos uma explicação pertinente e de mensagem bem actual.

O mandamento para construir um gradeamento, isto é, criar uma protecção no domínio dos nossos parâmetros físicos, é também um mandamento para cada um de nós – como indivíduos – na esfera da nossa vida pessoal.

Um dos aspectos mais consistentes da nossa vida é o de que todos temos desafios a confrontar. De facto, o objectivo a cumprir na nossa vida e a missão que nos é dada por D-us é exactamente a de ultrapassar tais desafios, navegando constantemente entre os escolhos que se avizinham.

Por vezes aproximamo-nos perigosamente do precipício, e é nesta altura que o mandamento nos ensina a criar gradeamentos, quer dizer a distanciarmo-nos das circunstâncias difíceis em que não nos revemos.

E é aqui também que a terminologia usada neste verso se torna clara.

Mesmo em situações em que nos parece já termos caído nunca é tarde demais para criar gradeamentos. Existe sempre a possibilidade de Teshuvah, de retornar a D-us, e de ter uma nova oportunidade de tomar as decisões certas.

Nunca se pode desistir. Existe sempre uma oportunidade nova. O presente mês de Elul, em que nos preparamos para Rosh Hashanah e Yom Kippur, é uma altura do ano especialmente designada, e portanto propícia, para Teshuvah.

Com os maiores desejos de que todos nós sejamos meritórios de saber e puder aproveitar as potencialidades deste período e desse modo abrir as portas a um doce Ano Novo!

Shabbat Shalom! (2011)

Rabino Eli Rosenfeld
chabadportugal.com


A história do Judaísmo em Portugal é uma fina tapeçaria rica em desafios e sucessos ao longo de tempos imemoriais. As terras portuguesas produziram e acolheram alguns dos nossos maiores Rabinos e líderes. Desde o estadista, líder, e sábio, Rabino Dom Yitzchak Abarbanel até ao autor do Shulchan Aruch, o Rabino Yosef Karo no século dezasseis até mais recentemente ao tempo que passou em Lisboa em 1941 o Grande Rabino de Lubavitch, o solo Portugal foi testemunha de importantes contribuições para o reforço das comunidades Judaicas e da sua compreensão e aderência à Torah.

É em reconhecimento da natureza imorredoira destas contribuições e em honra de todos os Judeus que ao longo de tempos de glória e deescuridão residiram em Portugal, que estes comentários da autoria dos grandes Rabinos de Portugal vos são aqui apresentados – aqui em Portugal.

Um agradecimento especial ao Rabino Shlomo Pereira pela tradução deste texto para português.


Ki Teitzei

“If you build a new house, you shall make a fence for your roof, so that you will not place blood in your house if a fallen one falls from it”.

The verse seems short and to the point, a simple commandment to ensure that your possessions – in this case your home  – does not cause harm, albeit inadvertently, to others.

Yet, the wording of the verse seems awkward. In describing the potential accident victim who may fall, the term “Nofel” – literally “fallen one” is used.   Why would the Torah call a potential accident victim “fallen one”, when falling is exactly what we’re hoping to avoid?

In his commentary, the “Tzror Hamor”, Rabbi Avraham Sabba, gives us a very pertinent explanation with a timely message.

The commandment to build a guardrail, to place a safeguard around our physical domain, is also a commandment to us as individuals in our personal life.

We all face challenges on a consistent basis.  Our life’s work and the mission we are given from G-d is to overcome them, constantly navigating the obstacle course ahead.

There are times we come dangerously close to the edge, and it is then we are instructed to create fences, to distance ourselves from difficult circumstances where we know we don’t belong.

Here is where the terminology in our verse becomes clear: even in situations where we may even view ourselves as already having fallen, it is never too late to create fences and borders. There is always the possibility of Teshuva, returning to G-d, and having another opportunity to make the right choice.

We can never give up; we always have another chance.

The current month of Elul, as we get ready for the Rosh Hashana and Yom Kippur, is a time especially designated for Teshuva.  May we all merit to capitalize on this time, ushering in a sweet New Year together!

Shabbat Shalom!

Rabino Eli Rosenfeld
chabadportugal.com