Empresário compra Torá de 400 anos descoberta na Covilhã

Fonte: DN
PATRIMÓNIO & MUSEUS 03/10/2016
In: http://www.pportodosmuseus.pt/2016/10/03/empresario-compra-tora-de-400-anos-descoberta-na-covilha/


 

toraUm empresário da Covilhã disse à agência Lusa que comprou a Torá (documento judaico) com mais de 400 anos, cuja descoberta foi recentemente divulgada pela autarquia local.

“Fizemos ontem [na quarta-feira] a escritura no cartório”, afirmou em declarações à Lusa o empresário José Correia, que é proprietário de um conhecido restaurante na cidade.

A Câmara da Covilhã anunciou a 14 de setembro que tinha sido descoberta naquela cidade uma Torá com mais de 400 anos, em muito bom estado de conservação.

“Estamos a falar de um documento muito, muito raro, podemos mesmo dizer que é uma joia da cultura portuguesa e da história sefardita mundial e portanto entendemos que é da maior importância darmos a conhecer esse documento”, disse, naquela data, o presidente da Câmara Municipal, Vítor Pereira.

O autarca explicou que este documento foi encontrado há cerca de 10 anos, durante a demolição de um edifício no centro da cidade, mas, na altura, o empreiteiro não terá tido consciência da importância do achado, limitando-se a guardá-lo.

Ao tomarem conhecimento deste episódio, os técnicos do departamento da Cultural da Câmara foram analisar o achado, tendo encontrado um pergaminho com 30 metros de comprimento e 60 centímetros de altura, provavelmente escrito com tinta ferrogálica e com suporte de apoio em rolos de madeira’.

Uma peça única, que está em muito bom estado de conservação e cuja autenticidade foi confirmada por Javier Castaño, professor e investigador no departamento de Estudos Judaicos do Instituto de Línguas e Culturas do Mediterrâneo e Oriente Próximo.

Em declarações à Lusa, José Correia explicou esta quinta-feira que adquiriu o referido documento por ser apreciador de antiguidades.

“Eu sou fã de tudo o que é antigo e tenho várias coisas antigas”, afirmou, adiantando que este é o primeiro documento judaico que compra.

José Correia rejeitou revelar o valor da transação e relativamente ao que pretende fazer com este valioso documento limitou-se a explicar que o seu objetivo é de que esta Torá permaneça na Covilhã.

Na altura em que a descoberta foi divulgada, o município covilhanense especificou que tinha realizado um protocolo com o empreiteiro no sentido de que fosse a autarquia a guardar e a conservar a Torá, cuja posse continuaria a ser de quem o encontrou.



NOTA DO ADMINISTRADOR: 

Embora o silêncio sobre o tema impere, continuamos à espera de ver um documento científico que prove a antiguidade da referida Torah. Nem sequer vimos publicada qualquer contestação válida à tese levantada na devida ocasião pelo dr. Inácio Steinhardt, pelo que nos parece que tudo à sua volta se está a passar de uma forma ardilosa com a finalidade de fazer crer numa falsa realidade. Se assim for, trata-se de uma forma pouco ética de atrair turistas de Israel e, nomeadamente, dos Estados Unidos, sem pensar na dignidade e valor moral e religioso que uma Torah tem para o povo Judeu e do valor histórico intrínseco que pode ter para a cidade da Covilhã. Esperemos que assim não seja e que a referida Torah seja avaliada por especialistas válidos.