Rabi Eli Rosenfeld – Parashá “Vayislach”: Conversas com Esaú

Conversas com Esaú

O épico encontro entre Jacó e Esaú concentra a atenção da maior parte da parsha desta semana. A conversa entre os dois irmãos contudo proporciono-nos um fascinante diálogo que merece alguma elaboração.Depois de Esaú encontrar a família de Jacó, ele prontifica-se a ajudar Jacó e a viajar junto com a sua família. “Viaja e eu irei a teu lado,” diz Esaú.

Jacó responde então recusando a oferta e explica “As crianças são de tenra idade e os rebanhos dependem de mim … se puxarmos muito por eles, todos os rebanhos morrerão”. “Vai indo,” diz ele a Esaú, “até que eu me juntarei a ti em Seir”.

Enquanto à primeira vista esta conversa pareça simples e trivial, os comentadores bíblicos explicam que dentro destas simples linhas residem profundas ideias e valores morais.

O que é que na realidade pretendia Esaú? Porque é que ele se mostrava tão persistente em acompanhar Jacó? E finalmente, porque é que Jacó recusou esta oferta?

O Tzror Hamor explica o modo como Esaú ao se oferecer para acompanhar Jacó, estava de facto a subtilmente tentar transmitir ao seu irmão e à sua família a sua própria visão do mundo.

Esau acreditava unicamente em viver o momento presente. O que trará o amanhã ou as consequências futuras das suas acções não eram para ele importante. Esaú, como nos é dito, não acredita no mundo que há-de vir.

Jacó ao recusar a oferta de Esaú, estabelecia desse modo os seus princípios. Jacó dava valor ao futuro, o ritmo vagaroso mas constante “das crianças e dos rebanhos” é a chave para uma vida espiritualmente bem-sucedida, preenchida com significado e com profundidade experiencial.

Ainda que viver deste modo seja por vezes bem difícil, como tantas vezes acontece, temos de sacrificar a gratificação do imediato em prol dos nossos princípios.

Contudo, quando temos a noção de que existe uma razão para tudo o que acontece, todos os desafios com que nos deparamos não são suficientes para nos desviar dos nossos compromissos.

E esta é a razão pela qual Jacó firmemente recusou a oferta de Esaú, escolhendo o seu próprio caminho, uma vida de acordo com a Torá e os seus Mitzvot. (2012)

Shabbat Shalom!

Rabino Eli Rosenfeld
chabadportugal.com

A história do Judaísmo em Portugal é uma fina tapeçaria rica em desafios e sucessos ao longo de tempos imemoriais. As terras portuguesas produziram e acolheram alguns dos nossos maiores Rabinos e líderes. Desde o estadista, líder, e sábio, Rabino Dom Yitzchak Abarbanel até ao autor do Shulchan Aruch, o Rabino Yosef Karo no século dezasseis até mais recentemente ao tempo que passou em Lisboa em 1941 o Grande Rabino de Lubavitch, o solo Portugal foi testemunha de importantes contribuições para o reforço das comunidades Judaicas e da sua compreensão e aderência à Torah.
É em reconhecimento da natureza imorredoira destas contribuições e em honra de todos os Judeus que ao longo de tempos de glória e deescuridão residiram em Portugal, que estes comentários da autoria dos grandes Rabinos de Portugal vos são aqui apresentados – aqui em Portugal.
Um agradecimento especial ao Rabino Shlomo Pereira pela tradução deste texto para português.